A morte de Maria Aparecida Rodrigues, conhecida como “Mara”, voltou a ser o foco da Polícia Civil de São Paulo com o depoimento de Ana Paula Veloso Fernandes, a serial killer investigada pela possível morte de quatro pessoas. Ana Paula, que mantinha um relacionamento amoroso com a vítima desde o início de 2025, afirmou à polícia que Mara teria descoberto seu envolvimento extraconjugal com um policial militar.
Poucas horas após o envio de uma série de mensagens de alerta e ameaças para a esposa do PM, usando um número de Maria, a vítima foi encontrada morta em sua residência. Mara foi envenenada na madrugada de 10 de abril de 2025, através de um bolo contaminado com produtos químicos de limpeza.
A investigação policial aponta que Ana Paula Veloso Fernandes utilizou o telefone de “Mara” para enviar as mensagens à mulher do policial e, com isso, simular que a própria vítima estaria sendo alvo de ameaças. Embora o número usado para as ameaças estivesse cadastrado no nome de Maria, a análise técnica identificou que o chip já havia operado em aparelhos vinculados a Ana Paula.
Na noite do crime, chamados foram enviados à Polícia Militar pelo próprio celular da vítima, reportando uma “movimentação suspeita” ao redor de sua casa, e mensagens como “Chama a polícia” e “socorro” continuaram sendo encaminhadas em nome de Maria. De acordo com a polícia, esse ato foi uma tentativa de Ana Paula de imputar a culpa do homicídio ao policial militar.
Na casa de Maria, foram encontrados bilhetes com os nomes do PM e de uma outra mulher, que não tinha qualquer relação com a vítima. O teor dos bilhetes era incriminatório, como “O policial não presta”, o que a polícia considera ser mais uma evidência de manipulação para incriminar terceiros.
Em interrogatório, Ana Paula negou ter cometido o homicídio, mas admitiu ser a última pessoa a ter contato com Maria, ter enviado as mensagens ameaçadoras e escrito os bilhetes, tudo com a intenção de incriminar o casal.
A irmã gêmea de Ana Paula, Roberta Cristina Veloso Fernandes, relatou que, na noite da morte, Maria Aparecida ingeriu bolo e café na casa que dividia com Ana, na presença delas e da filha de Roberta, antes de retornar à sua residência, onde foi encontrada morta horas depois.
O documento da investigação policial aponta ainda que, após a morte de Mara, Ana Paula retornou à casa da vítima em atitude suspeita, fazendo diversas ligações e demonstrando preocupação com o resultado do laudo.O que diz a Polícia Civil
A investigação concluiu que a morte de Maria não foi natural, mas sim o resultado de um ato doloso. A Polícia Civil indiciou formalmente Ana Paula Veloso Fernandes por homicídio qualificado por motivo torpe, uso de veneno e tentativa de assegurar outro crime – a denunciação caluniosa contra o policial militar. Foi deferida a exumação do corpo de Maria Aparecida para a realização de novos exames toxicológicos.










