O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) classificou como “desastrosa” e “matança” a operação policial da semana passada nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que resultou na morte de 121 pessoas, incluindo quatro policiais.
Em entrevista a agências internacionais em Belém nesta terça-feira (4), Lula defendeu que legistas da Polícia Federal participem da investigação sobre as mortes.
Pedido de Investigação e Participação da PFA operação, que mirou a facção criminosa Comando Vermelho (CV) e foi considerada a mais letal da história do estado, foi alvo da forte crítica de Lula:”A decisão do juiz era uma ordem de prisão, não tinha uma ordem de matança, e houve matança.
“O presidente informou que o governo federal está articulando a participação dos legistas da PF no processo para apurar as circunstâncias das mortes, argumentando que há “muitos discursos” e que é preciso verificar a situação real da operação:”Eu acho que é importante a gente verificar em que condições ela [a operação] se deu, porque até agora nós temos uma versão contada pela polícia, contada pelo governo do estado e tem gente que quer saber se tudo aquilo aconteceu do jeito que eles falam ou se teve alguma coisa mais delicada na operação.
“O Supremo Tribunal Federal (STF) realizará uma audiência nesta quarta-feira (5) para discutir o caso.Reações e Esforços do Governo FederalApesar da avaliação de Lula sobre o resultado da ação, o governador do Rio, Claudio Castro (PL), classificou a operação como “um sucesso” no dia seguinte, destacando que as únicas vítimas foram os policiais mortos.
A situação gerou mobilização do governo federal, com os ministros Ricardo Lewandowski (Justiça e Segurança Pública), Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Anielle Franco (Igualdade Racial) viajando ao Rio para se reunir com o governador. Castro também esteve em Brasília na terça-feira (4) para tratar do tema.
Mudança de Tom
Esta manifestação de terça-feira marcou a primeira crítica direta de Lula à operação. Na semana anterior, após a ação, o presidente havia se manifestado nas redes sociais defendendo o combate ao crime organizado e a PEC da Segurança Pública, mas evitou criticar diretamente as forças de segurança ou o governo estadual do Rio.
Opinião Pública no Rio
Uma pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira (3) apontou que 64% dos moradores do estado do Rio de Janeiro aprovam a operação policial. Além disso, a pesquisa mostrou grande apoio à repressão ao crime organizado:85% apoiam aumentar a pena de prisão para condenados por homicídio a mando de organizações criminosas.72% concordam em enquadrar o crime organizado como organização terrorista.










