A jovem Kauane Tainá Fox, de 24 anos, foi presa após fugir de um motel em São Paulo e provocar uma série de acidentes de trânsito. Em depoimento, ela alegou que sofreu um “surto de pânico” e que agiu de forma desesperada por acreditar que seria roubada pelas três mulheres que a acompanhavam. O caso aconteceu no bairro de Pinheiros, zona oeste da capital paulista.
Segundo Kauane, o episódio começou depois que ela misturou bebida alcoólica com um remédio controlado e passou a acreditar que estava sendo alvo de um plano de roubo. As quatro mulheres haviam se conhecido poucas horas antes, em uma festa eletrônica na cidade, e decidiram seguir para o Astúrias Motel, localizado na esquina da Rua Pais Leme com a Avenida das Nações Unidas.
Durante o momento de confusão, Kauane teria chamado a própria polícia, mas, tomada pelo pânico, acreditou que até os agentes estavam contra ela.
“Comecei a ter essa crise do pânico, tanto que eu mesma chamei a polícia. Fiquei tão desesperada que achei que a polícia também estava contra mim. Entrei em desespero”, contou ao portal G1.
Em meio à crise, a jovem arrancou com o Jeep Compass branco, rompeu o portão do motel e saiu dirigindo na contramão, completamente nua.
Fuga filmada e perseguição policial
Câmeras de segurança do estabelecimento registraram o momento em que o veículo deixou o local em alta velocidade. A fuga se estendeu por cerca de dois quilômetros, até que Kauane colidiu com dois carros parados em um semáforo na Avenida Vital Brasil, no bairro do Butantã.
“Fui tentar passar pela faixa de ciclista, mas era muito estreita e acabei colidindo. Eu estava fugindo das pessoas que achei que estavam me perseguindo, e não da polícia”, relatou.
Ela foi presa em flagrante e indiciada por embriaguez ao volante, direção perigosa, dano ao patrimônio, resistência e por colocar a vida de terceiros em risco. O caso foi registrado no 14º Distrito Policial de Pinheiros.
“Achei que iam me roubar”
Kauane afirmou que decidiu fugir após ouvir duas das acompanhantes comentarem que planejavam roubar seu carro, recém-comprado.
“Achei que todo mundo ali estava contra mim. Achei que minha única forma de sair seria fazer isso. Ouvi elas falando que tinham duas motos e um carro esperando na esquina.”
Funcionários do motel confirmaram que a mulher chegou a ligar para a recepção dizendo ter acionado a polícia. Um deles, que não quis se identificar, contou que precisou pular para escapar do carro e que a jovem parecia realmente em surto, “falando coisas desconexas”.
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou inicialmente que o caso envolvia uma tentativa de deixar o motel sem pagar. A versão, no entanto, é contestada por Kauane, que garante ter pagado R$ 700 logo na chegada, ficando o restante do valor — outros R$ 700 — sob responsabilidade das outras mulheres.
“Meu problema não é dinheiro. Eu tenho dinheiro. Jamais arrebentaria o portão se não estivesse desesperada. Quando você tem uma crise de pânico, acha que vai morrer.”
“Ela dizia estar falando com um demônio”
Uma das mulheres que estavam no quarto contou que Kauane parecia tranquila no início, mas, em determinado momento, passou a gritar e agir de forma descontrolada.
“A noite foi incrível. Ela parecia uma menina doce. Em certo momento começou a gritar, bater no carro e dizer que estava falando com um demônio. Ficamos apavoradas”, disse, sob anonimato.
A testemunha afirmou ainda ter visto um comprimido de ecstasy nas mãos da motorista, mas não soube confirmar se ela chegou a ingerir a droga.
Kauane, por sua vez, nega o uso de substâncias ilícitas. Ela disse que o surto foi provocado pela mistura de álcool com Venvanse, medicamento usado no tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).
A jovem contou que conheceu as três mulheres em uma festa do DJ Marco Carola e que decidiram ir ao motel com piscina para descansar depois do evento.
Liberdade mediante fiança
Na tarde de terça-feira (11), a Justiça determinou a liberdade provisória de Kauane mediante o pagamento de R$ 5 mil de fiança. A decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) considerou que ela é ré primária e mãe de uma criança de 3 anos.
Entre as condições impostas estão a suspensão do direito de dirigir, a proibição de deixar a cidade sem autorização judicial e a obrigação de comparecimento mensal ao fórum enquanto responde pelos crimes em liberdade.










