Em uma manobra política em Brasília, o deputado Aécio Neves (PSDB-MG) emergiu de um período discreto para se tornar uma figura central na imprensa, atuando como uma espécie de porta-voz. Sua nova missão é articular a oposição à proposta de anistia ampla para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Segundo o parlamentar, o novo foco da articulação é a dosimetria das penas. Ele argumenta que essa abordagem busca atender à parcela da sociedade que considera excessivas algumas condenações já proferidas. “Não se trata mais de anistia, anistia é inconstitucional. Vamos tratar da dosimetria das penas. Muitos brasileiros, de um lado e de outro, consideram exageradas algumas das penas que ali foram dadas”, afirmou.
Para Aécio, embora a anistia pudesse reunir votos no Congresso, ela já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele alerta sobre o risco de um novo confronto entre os poderes. “Colocar o Congresso novamente em confronto com o Supremo vai atender apenas aos extremos, interessa só àqueles que surfam nessa agenda da polarização”, disse em entrevista.
O tucano sustenta que a mudança de rota não vai agradar a todos, mas permitirá que o Supremo Tribunal Federal autorize a medida e alivie a situação dos condenados. “Com certeza não vamos agradar a todos, mas vamos construir algo que permita que aqueles que ainda estão cumprindo pena possam ser liberados das suas penas, a partir do abrandamento de algumas delas, mas não serão anistiados, continuarão tendo a sua condenação registrada”, afirmou.
Em entrevista à GloboNews, Aécio argumenta que a proposta não visa beneficiar líderes políticos ou financiadores, mas sim “essa grande massa de manobra que está pagando um preço ainda alto”. O objetivo é desarmar a polarização que, segundo ele, tem paralisado o avanço de pautas importantes no Congresso. “Estamos com a agenda do imposto de renda paralisada, da segurança pública paralisada, da educação paralisada, porque o Brasil vive essa polarização inculta, atrasada, radical, que não serve aos interesses do Brasil, só ao dos extremos. Essa é uma boa oportunidade para superarmos essa agenda”, concluiu.










