Aparelhos entram escondidos em visitas e por arremessos
Menores que um dedo indicador e com aparência de brinquedo, os mini celulares têm se tornado ferramentas poderosas nas mãos do crime organizado dentro dos presídios da Bahia. Aparelhos de cerca de 5 cm permitem que líderes de facções, como o Comando Vermelho (CV), comandem ações e determinem execuções de dentro das celas.
Em julho deste ano, dois desses dispositivos foram apreendidos na Cadeia Pública de Salvador, parte do Complexo Penitenciário da Mata Escura. Uma mulher tentou entrar com os aparelhos escondidos para um parente ligado ao CV, mas foi flagrada pelo BodyScan, scanner corporal usado nas revistas. Segundo fontes do sistema prisional, os modelos mais comuns são da marca L8star, muito utilizados por integrantes da facção.
O Ministério Público da Bahia (MP-BA) confirma o avanço do CV na região. “O grupo busca expansão no Norte e Nordeste”, disse o promotor Edmundo Reis, do Grupo Especial de Execução Penal (Gaep).
Embora não existam dados específicos da Bahia, uma operação nacional em março apreendeu quase 900 celulares em 133 presídios brasileiros. No total, o Ministério da Justiça informou que 4,7 mil aparelhos foram retirados de circulação até julho de 2024.
Segundo o Sindicato dos Policiais Penais da Bahia (SINPPSPEB), os mini celulares são leves, discretos e podem ser escondidos facilmente. Eles entram nas unidades em partes íntimas de visitantes ou são arremessados por comparsas para dentro dos pátios.
Além de simples chamadas e mensagens, esses aparelhos contam com funções básicas como rádio, agenda e calculadora. Custam entre R$ 100 e R$ 250 e chegam ao país de forma irregular, principalmente pelo Paraguai, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). Dentro das cadeias, podem valer até R$ 20 mil.
Atualmente, apenas 16 das 27 unidades prisionais baianas possuem BodyScan e esteiras de raio X. Para o promotor Edmundo Reis, é preciso ampliar o uso da tecnologia e fortalecer o combate à corrupção entre servidores. Casos recentes, como o de um policial penal afastado por cobrar propina e o de um major preso ao tentar entregar um celular a um detento, revelam brechas no sistema.
O BodyScan é um equipamento que utiliza ondas milimétricas ou raios X de baixa intensidade para detectar objetos metálicos e não metálicos, como celulares e drogas, sem necessidade de revista física.
A reportagem procurou a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização da Bahia (SEAP) desde o dia 7 deste mês, mas não obteve resposta.










