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“Cancelem a Netflix”: O Boicote de Elon Musk Contra a Agenda Woke e as Quedas nas Ações

Reprodução de Imagem

O empresário Elon Musk incitou os pais a realizarem um boicote contra a Netflix, alegando que a plataforma estaria promovendo uma “agenda transgênero woke” direcionada ao público infantil.


A chamada de Musk ganhou destaque em 1º de outubro, quando ele compartilhou um meme no X (antigo Twitter) comparando a Netflix a um Cavalo de Troia que estaria infiltrando conteúdo considerado impróprio para crianças nas casas. Em uma de suas publicações, o empresário foi direto ao ponto: “Cancelem a Netflix pela saúde de seus filhos”. Essa declaração veio em apoio a posts de influenciadores conservadores que acusaram a série em questão de tentar “aliciar crianças”.

Reprodução de Imagem/ X


O apelo ao boicote feito por Musk aconteceu um dia após ele tecer duras críticas à série de animação “Dead End: Paranormal Park”. Essa produção, destinada a crianças a partir de 7 anos, conta com uma personagem transgênero em seu elenco.


Em resposta às críticas, o dublador da personagem, Zach Barack, que também se identifica como transgênero, saiu em defesa da série. Barack argumentou que a produção oferece uma representação que pode salvar vidas e é fundamental para ajudar crianças a se sentirem aceitas.
A repercussão do boicote nas redes sociais gerou um impacto perceptível: as ações da Netflix caíram cerca de 1,5% no pré-mercado de 1º de outubro.


Contexto de Reação Conservadora


Este episódio com a Netflix se insere em um contexto mais amplo de reação conservadora contra a inclusão de políticas de diversidade, equidade e inclusão (DEI) e a presença de conteúdo LGBTQIA+ em empresas americanas.


Existem exemplos recentes desse movimento: em 2023, a varejista Target removeu produtos infantis com temática LGBTQIA+ de suas prateleiras após enfrentar boicotes. Além disso, a cervejaria Bud Light registrou uma queda em suas vendas depois de estabelecer uma parceria com uma influenciadora transgênero. Outras corporações, como a John Deere, também fizeram ajustes em suas políticas e comunicações para diminuir a exposição a mensagens sociais consideradas motivacionais, atendendo, assim, à pressão de ativistas conservadores.

O episódio com o conteúdo transgênero na animação “Dead End: Paranormal Park” não é a primeira vez que a Netflix se vê no centro de uma polêmica intensa envolvendo o que é considerado conteúdo inapropriado ou sensível para crianças.


​Um caso que gerou um clamor internacional ainda maior e provocou a hashtag #CancelNetflix em escala global foi o filme francês “Cuties” (ou “Mignonnes”, no original), lançado em 2020.


​A produção, que aborda a história de uma menina de 11 anos que se junta a um grupo de dança na escola em meio a um conflito com as tradições de sua família, foi duramente criticada por, supostamente, sexualizar crianças pré-adolescentes. O foco do debate estava nas coreografias e figurinos das jovens dançarinas, que muitos telespectadores e ativistas consideraram excessivamente sugestivos e adultos para a idade delas.


​A polêmica se intensificou inicialmente devido a um pôster de divulgação criado pela própria Netflix, que mostrava as atrizes em poses hipersexualizadas, o que levou a empresa a emitir um pedido público de desculpas pela arte inapropriada.
​Apesar da defesa da Netflix de que o filme é, na verdade, uma crítica social à sexualização precoce de meninas na sociedade e nas redes sociais, o impacto foi significativo.


​Em 2020, o filme chegou a motivar um júri em um condado do Texas (EUA) a indiciar a Netflix por “promover material visual obsceno” envolvendo crianças, embora a empresa tenha rebatido a acusação como “sem mérito”. O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos no Brasil também solicitou a suspensão do filme e uma investigação sobre a distribuição por conter, segundo o órgão, “conteúdo pornográfico envolvendo crianças”.

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