O deputado estadual Kleber Cristian Escolano de Almeida, conhecido como Binho Galinha (PRD), foi preso nesta sexta-feira (3), depois de se entregar ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), em Feira de Santana, segunda maior cidade do estado. A prisão foi confirmada pelo órgão, que acompanhou todo o processo.
O parlamentar era considerado foragido desde a quarta-feira (1º), quando a Polícia Federal deflagrou uma ação contra uma milícia suspeita de lavar dinheiro há mais de uma década. Na ocasião, foram presos a esposa e o filho do deputado, além de outras sete pessoas. O mandado de prisão preventiva contra Binho Galinha foi cumprido após ele se apresentar voluntariamente, sendo escoltado por cerca de 20 agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) até Salvador, onde permanece custodiado em Sala de Estado-Maior.
Em nota, o deputado afirmou estar colaborando com as autoridades e disse confiar na Justiça. Ressaltou ainda que “todos os fatos serão devidamente esclarecidos ao longo do processo”. A determinação de sua prisão seguiu entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF), que delimitou o foro por prerrogativa de função apenas para crimes cometidos durante o exercício do cargo e relacionados à função parlamentar. No caso dele, a maioria dos ilícitos investigados ocorreu antes do mandato ou sem ligação com a atividade legislativa.
Esse não é o primeiro episódio envolvendo o nome de Binho Galinha. Em 2011, antes mesmo de assumir como deputado estadual, ele chegou a ser preso em uma operação contra roubo de veículos. Já em 2023, a operação “El Patrón” bloqueou cerca de R$ 200 milhões em bens e prendeu seis pessoas, incluindo a esposa, Mayana Cerqueira da Silva, e o filho, João Guilherme Cerqueira da Silva Escolano, à época com 18 anos.
De acordo com as investigações, o parlamentar utilizava empresas e sua loja de autopeças, a Tend Tudo, em Feira de Santana, para lavar dinheiro e revender peças de carros roubados. Em um dos imóveis ligados ao grupo, foram encontradas milhares de peças automotivas. Auditoria apontou que a empresa movimentou R$ 40,7 milhões sem respaldo fiscal adequado e ainda recebeu créditos de pessoas investigadas por receptação e organização criminosa.
Um episódio levantado pelo MP-BA mostrou que, em 2020, a Tend Tudo emitiu nota fiscal de R$ 3 milhões referente à venda de mil cabines de caminhão, mas não havia registro de compra ou fabricação de cabines compatível com o volume declarado. A suspeita é de simulação de operações comerciais. No total, 15 pessoas foram denunciadas.
O filho do parlamentar, segundo a denúncia, era responsável por receber parte dos valores ilícitos, repassando cerca de R$ 474 mil ao pai. Já Mayana, esposa de Binho, apresentava movimentações financeiras incompatíveis com sua renda declarada, envolvendo transferências diretas com outros investigados.
O processo enfrentou momentos de reviravolta judicial. Em abril de 2025, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu prisão domiciliar para Mayana e habeas corpus para João, após apontar falhas na forma como a Polícia Federal obteve relatórios do Coaf sem autorização judicial. Em junho, o STJ chegou a anular efeitos da operação, mas o STF, em decisão do ministro Cristiano Zanin, restabeleceu a validade das provas e determinou a continuidade da investigação.
No fim de setembro de 2025, o caso voltou ao centro das atenções com as audiências de instrução da “Operação El Patrón”, realizadas no Fórum Desembargador Filinto Bastos, em Feira de Santana. O Ministério Público levou três testemunhas, enquanto a defesa de Binho apresentou 77. No entanto, a última sessão, marcada para o dia 25, foi adiada para 28 de novembro porque um deputado federal, convocado como testemunha de defesa, não pôde comparecer.
Já em outubro de 2025, a Polícia Federal deflagrou um novo desdobramento: a “Operação Anômico”, que resultou em nove prisões, 18 mandados de busca e apreensão e o bloqueio de R$ 9 milhões em contas bancárias. Empresas ligadas aos investigados tiveram as atividades suspensas. Entre os detidos estavam quatro policiais militares, encaminhados ao Batalhão de Choque da PM em Lauro de Freitas, onde permanecem presos.










