Williams Nogueira dos Santos Silva, de 28 anos, foi sequestrado após sair de casa para participar de uma celebração religiosa e acabou morto, tendo o corpo abandonado na região de Aratu, em Simões Filho. Antes de ser executado, ele foi fotografado pelos criminosos que o capturaram.
Segundo relato de um policial que pediu para não ter o nome divulgado, a ação foi praticada por integrantes da facção Bonde do Maluco (BDM). Eles teriam sequestrado o jovem apenas pelo fato de ele morar no Nordeste de Amaralina, área onde há influência da facção rival, o Comando Vermelho (CV). Durante o sequestro, Williams foi forçado a fazer o gesto de “3” com as mãos, referência utilizada pelo BDM.
“Eles pegaram o rapaz e levaram para uma área de mata, um ponto já conhecido como local de ocultação de cadáveres na região de Aratu. Uma imagem dele fazendo o sinal com a mão começou a circular porque ele foi obrigado a fazer isso antes de morrer”, afirmou o policial. Poucas horas após a foto se espalhar, equipes policiais localizaram o corpo de Williams na mesma área onde a imagem havia sido registrada.
Williams havia saído de sua residência no Nordeste de Amaralina para participar de atividades religiosas em um terreiro em Simões Filho, sem imaginar que corria risco simplesmente por residir em um território associado a um grupo criminoso rival da facção que o abordou. Nas redes sociais, familiares, amigos e conhecidos manifestaram pesar e indignação com o crime.
“Meu primo era um rapaz do bem, trabalhador, gentil e carinhoso. Ele não merecia essa covardia. Ele estava prestando um serviço religioso, não tinha envolvimento com nada. Nasceu e foi criado no Nordeste de Amaralina. Ele foi vítima”, escreveu uma familiar.
Em nota, a Polícia Militar da Bahia informou que policiais da 22ª CIPM foram acionados na tarde de segunda-feira (17) após a denúncia da localização do corpo. Ao chegaram ao local, os militares encontraram Williams já sem vida e acionaram o Departamento de Polícia Técnica (DPT), responsável pela remoção e perícia.
A Polícia Civil da Bahia informou que a 3ª Delegacia de Homicídios (DH/BTS) já identificou indícios sobre os responsáveis pelo crime. Contudo, para não comprometer o andamento das apurações, nenhum outro detalhe pode ser revelado neste momento.
A disputa entre facções criminosas e o controle territorial são apontados como fatores que têm provocado execuções baseadas no local de moradia, mesmo quando não há comprovação de envolvimento da vítima com atividades ilícitas. O especialista em segurança pública, coronel reformado Antônio Jorge Melo, destacou que o episódio se soma a outros casos que demonstram práticas violentas e de intimidação relacionadas ao tráfico na capital e na Região Metropolitana.
“A ousadia e o grau de crueldade das facções repetem métodos já observados no Rio de Janeiro. Esses crimes, muitas vezes, são usados para demonstrar autoridade e aumentar o clima de medo. As execuções acabam funcionando como forma de punição e, ao mesmo tempo, de status para quem pratica”, afirmou.
Casos semelhantes já chocaram Salvador recentemente. Um deles foi o assassinato de Richard de Jesus Santana, de 21 anos, que foi esquartejado por integrantes do BDM na Federação. Ele teria sido identificado como ex-morador do Garcia, área ligada ao Comando Vermelho. Mesmo residindo em Cajazeiras e estando momentaneamente na casa da irmã na Federação, Richard foi sequestrado na Rua Souza Uzel, reconhecido e posteriormente morto.
Outro episódio envolveu Pedro Lacerda, morador de área sob influência do BDM, que foi localizado por criminosos do Comando Vermelho na Santa Cruz. Ele estava em uma festa tipo paredão quando foi arrastado até a Rua Onze de Novembro e executado com mais de 50 disparos na cabeça.










