Operação “Neurodignos” cumpriu mandados de busca e apreensão em seis clínicas credenciadas e na sede do plano de saúde na capital baiana. Irregularidades no tratamento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) estão sob investigação.
A Polícia Civil deflagrou nesta terça-feira (21) a Operação “Neurodignos” em Salvador, com o objetivo de investigar irregularidades graves no tratamento de crianças autistas fornecido pela Unimed e clínicas credenciadas. A sede do plano de saúde na Pituba e seis unidades de atendimento especializadas foram alvo de mandados de busca e apreensão.
Os crimes investigados são de alta gravidade e incluem estelionato, falsidade ideológica, exercício ilegal da profissão e publicidade enganosa.
Foco da Investigação: “Navegação Abusiva” e Fraudes
A operação foi desencadeada após denúncias de pais e responsáveis sobre condutas indevidas que prejudicam o desenvolvimento intelectual das crianças com TEA, que necessitam de terapias como ABA (Análise do Comportamento Aplicada), fonoaudiologia e terapia ocupacional.
O delegado Thiago Costa, titular da Delegacia de Defesa do Consumidor (Decon), destacou duas práticas como focos principais da investigação:
”Navegação Abusiva”: Transferência de crianças autistas para outras clínicas sem justificativa, interrompendo o vínculo com os profissionais já estabelecido.
Tratamento Inadequado: Realização de sessões conjuntas quando o médico prescreve atendimento individualizado.
Além disso, a Polícia apura propaganda enganosa, onde clínicas anunciavam serviços e equipes multidisciplinares (fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, etc.) que, na verdade, não possuíam os especialistas habilitados ou em número adequado. O exercício ilegal da Medicina também está sendo apurado.
Apreensões e Posição da Unimed
Investigadores apreenderam um “farto material probatório” nas clínicas localizadas nos bairros de Stiep, Barra, Trobogy e Ondina, e na Avenida Garibaldi. Documentos físicos, relatórios médicos, notas fiscais, computadores e celulares serão periciados pelo Departamento de Polícia Técnica (DPT) para aprofundar as investigações.
Em nota, a Central Nacional Unimed negou as denúncias e afirmou que está colaborando integralmente com as autoridades. A operadora reforçou seu compromisso com a qualidade e o cuidado na assistência aos seus beneficiários.
O Impacto nos Pacientes: Regressão no Tratamento
A matéria também ressalta o sofrimento de famílias afetadas. O empresário Lucas Sérvio, pai de uma menina de 10 anos com TEA, relatou que precisou entrar com um processo contra a Unimed para garantir o tratamento da filha.
Ele conta que, após o descredenciamento da clínica que a atendia, as opções indicadas pelo plano não forneciam o tratamento adequado. O resultado foi devastador:
”Minha filha regrediu bastante no tratamento, sofremos várias dificuldades, tanto é que precisamos entrar na Justiça para garantir o tratamento. A criança passou um ano sem acompanhamento.”
A família conseguiu uma liminar que obriga o plano a custear o tratamento em uma clínica não credenciada, e agora tenta estender o prazo da decisão na Justiça










