A Polícia Civil (PC) da Bahia detalhou, nesta quinta-feira (25), o modo de operação de um grupo criminoso investigado por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro que se estendia por quatro estados brasileiros. O desdobramento das investigações culminou na prisão do vereador Ailton Leal (PT), de Santo Estevão, na quarta-feira (24). O político é apontado como administrador de um posto de combustíveis usado para “lavar” o dinheiro ilícito do esquema.
O vereador foi preso em Santo Estevão, no interior da Bahia. Além da prisão de Ailton Leal (PT), um imóvel ligado a outro vereador, desta vez em Jaguarari (BA), também foi alvo de mandado de busca e apreensão, onde celulares e documentos foram localizados. No posto administrado por Leal, o local foi lacrado, multado e foram apreendidos cerca de R$ 18 mil em espécie, cheques e contratos.
O Modus Operandi da Organização
As investigações do grupo tiveram início em 2024 e permitiram à Polícia elucidar que a organização criminosa movimentava os recursos provenientes do tráfico de armas e drogas através de um sofisticado sistema: o uso de contas de laranjas e empresas de fachada. Essa estratégia visava mascarar a origem ilegal do dinheiro e reintegrar as quantias acumuladas ao sistema financeiro.
A PC conseguiu identificar que a movimentação financeira dos alvos investigados atinge um montante superior a R$ 4,3 bilhões. Em decorrência disso, todos os bens e valores dos suspeitos foram imediatamente bloqueados por determinação judicial.
A delegada da Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco), Vitória Brito, afirmou que as provas do envolvimento ficaram irrefutáveis após o aprofundamento da investigação. “Com a quebra do sigilo bancário e fiscal não tem como negar. Então foi identificado a movimentação financeira e a participação efetiva dessas pessoas. [Assim], nós conseguimos alcançar pessoas de poder aquisitivo elevado, tanto sócios de pessoas jurídicas, quanto também as pessoas envolvidas politicamente”, destacou.
Envolvimento Político e Continuidade da Apuração
O delegado da Draco, Fábio Lordelo, apontou que a quebra do ciclo financeiro da organização é o principal foco da medida de bloqueio de bens. “Ficou nítido nessa investigação a estrutura dessa organização criminosa no financiamento de alguns integrantes da classe política”, afirmou Lordelo.
Conforme a investigação, o vereador Ailton Leal é irmão de um traficante de alta periculosidade, que foi morto em confronto com a polícia em 2017.
As investigações do caso prosseguem com o acompanhamento da Secretaria da Fazenda (Sefaz) e da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Há fortes indícios de sonegação fiscal nos negócios utilizados para a lavagem de dinheiro, que serão apurados pelo Fisco. De acordo com a Sefaz, há fortes indícios de sonegação fiscal, que serão investigados após os trâmites internos.










