O presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, elevou a tensão diplomática entre Washington e Abuja ao acusar o governo da Nigéria de negligência diante de massacres de cristãos no país africano. Em declarações recentes, Trump classificou a Nigéria como um “País de Particular Preocupação” (Country of Particular Concern – CPC) por violações à liberdade religiosa, afirmando que “milhares de cristãos estão sendo mortos por extremistas islâmicos”.
Segundo o mandatário americano, o governo nigeriano tem sido “cúmplice pelo silêncio” e falhou em proteger comunidades inteiras do que ele descreveu como “um verdadeiro genocídio religioso”. Trump prometeu levar o caso ao Congresso dos EUA e ameaçou suspender toda a ajuda americana à Nigéria, além de advertir que estuda medidas de “ação militar” se a situação não for contida.
“O cristianismo está enfrentando uma ameaça existencial na Nigéria. Os Estados Unidos não ficarão de braços cruzados enquanto nossos irmãos e irmãs em Cristo são massacrados”, declarou Trump em sua plataforma Truth Social.
As declarações surgem após uma série de ataques em estados do centro-norte da Nigéria, como Plateau e Benue, que deixaram centenas de mortos e milhares de deslocados entre março e outubro de 2025, segundo organizações como Christian Solidarity International (CSI) e Open Doors. Testemunhas relatam que aldeias cristãs foram queimadas e famílias inteiras assassinadas por grupos armados identificados como milícias fulani e extremistas ligados ao Boko Haram.
O governo nigeriano, liderado pelo presidente Bola Tinubu, rejeitou as acusações de Trump e classificou suas declarações como “infundadas e perigosas”. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que os confrontos no país têm “causas complexas”, envolvendo disputas por terra, recursos e segurança, e negou que exista perseguição sistemática a cristãos.
“Essas alegações não refletem a realidade. Nigerianos de todas as religiões sofrem com a violência, e o governo está comprometido em proteger todos os cidadãos”, disse o porta-voz presidencial.
Ainda assim, grupos cristãos locais denunciam falhas graves na resposta estatal, alegando que as forças de segurança chegam tardiamente aos locais de ataque e raramente prendem os responsáveis. Relatórios independentes apontam altos índices de impunidade e deslocamento interno, com vilas inteiras abandonadas por medo de novos massacres.
Analistas internacionais veem nas falas de Trump uma tentativa de reforçar sua política externa voltada à defesa da fé cristã, mas alertam que as ameaças de sanção e intervenção podem agravar tensões diplomáticas e comprometer a cooperação entre EUA e Nigéria no combate ao terrorismo e à pobreza.
Enquanto isso, a população cristã nigeriana continua sendo uma das mais perseguidas do mundo, segundo o ranking anual da Portas Abertas, que aponta o país como o sexto mais perigoso para a prática do cristianismo.
“É uma tragédia humanitária silenciosa. E o silêncio, em si, já é uma forma de cumplicidade”, concluiu Trump, reforçando que pretende “agir com firmeza” diante do que chama de “descaso internacional” com os cristãos da Nigéria.










